quinta-feira, 22 de julho de 2010

'Imprevistos'

Uns dias depois de regressar a Laclubar, e seguindo o planeado, abandonamos mais uma vez o ‘posto’ para uma educação para a saúde em Sananain.
Saímos cedo, pelas 7:23 :), e após cerca de uma hora de caminho, o receio que até ai nos acompanha de que não fosse possível atravessar uma ribeira (que estava inserida no trajecto até ao destino), de tão farta das chuvas dos últimos dias, foi dissipado rapidamente por uma avaria do nosso veículo.
Sem justificação aparente, uma das rodas traseiras cedeu… Ainda tentei descair o carro para não ficar no meio da descida, mas ali ficou, ‘nem para traz nem para a frente’. Ainda que estando longe da base e de qualquer posto de assistência, rapidamente se juntou ali uma boa quantidade de ‘enginheiros’, pós graduados, sabedores, e curiosos.






















Não me vou estender nas descrições mas, entre arranjar mais um macaco hidráulico, e tentar arranjar peças para substituir… ficamos a maior parte do tempo refugiados numa comunidade um pouco mais à frente (‘Seratulan’), e só cheguei a casa perto das 20h.
























O jeep, esse não saiu do sitio onde ficou, dormiu por lá, à espera que eu na manha seguinte bem cedo, voltasse lá com dois ‘enginheiros’ de Laclubar para tentar remediar a situação de forma a que o carro conseguisse chegar à oficina em Díli.















































Assim foi, deixaram-nos lá, uma hora depois a coisa estava remediada, e o carro lá foi a chiar até Díli :).Em Díli, e não estivéssemos a lidar com mecânicos ;), as coisas atrasaram-se.
Não foi possível voltar no mesmo dia para Laclubar, o que não foi totalmente mau: sair tarde de Díli implica chegar a más horas a Laclubar, apanhar chuva, lama, vento; assim também descansamos, aproveitamos e seguimos no dia seguinte com calma e mais segurança.
Pelo caminho de regresso, numa paragem à beira da praia, para comer um peixe no espeto com ‘catupa’ (arroz entre folhas de palmeira ou bambu – não tenho certeza, mas bom;)!)





















quarta-feira, 30 de junho de 2010

fotos frecas (de lá e de cá)

em Laclubar, era mercado, mas deste vez mataram um 'karau' (era também dia de talho )










este senhor...ai este senhor...;)!!!



em dili... o sistema de transporte de peixe mais comum...





o volleibol em quase todos os becos...














































domingo, 27 de junho de 2010

28/06

Já estamos no final de Junho. Aqui, a estes meses, que para nós (mim) estão associados o calor, os dias compridos, (as hormonas, os concertos, etc.), aqui associam-se as temperaturas mais amenas (não chega a ser frio mas…); mas especialistas locais asseguram que isto não dura mais do que umas semanas, e a verdade é que Díli passa um bocado ao lado de tudo isso.
Mas falando cronologicamente (e resumidamente) de algumas coisas, passo a expor algumas fotos da última vez (à cerca de um mês) que regressei da grande metrópole.
Não, desta vez não foi preciso mandar parar ninguém no meio da estrada depois de alguns momentos de caminhada ;), combinou-se boleia desde Díli.

Pelo caminho, cerca de 42 min de distância de Díli (perto de Manatuto), alguns miúdos (e não só) aproveitam para vender ao melhor preço o peixe que acabaram de apanhar mesmo ali ao lado.
Sobre a maneira artesanal de eles pescarem e que talvez não seja para apanhar estes ‘pikenos’, já me contaram que é brutal apreciá-los. Fazem uso de uns arpões feitos da mesma fabrica que os ovos kinder (‘feitos à mão’;)!), e os óculos que usam não são menos artesanais; a ‘armação’ é esculpida em corno de ‘karau’ (à vista de malai parece um tipo de madeira). Mas o mais particular em tudo isto é apreciar a forma como o corpo deles se adaptou a esta labuta: sentam-se no fundo do mar, esperam paciente algum tempo (que para qualquer outra pessoa significaria a asfixia), e quando a presa lhes está ao alcance, tiram-lhe a vida com um engenho que só algum tempo de pratica lhe pode ter ensinado.























Então lá cheguei mais uma vez a Laclubar, desta vez trazia entre muitas outras coisas, umas pequenas oferendas para dois ‘pacientes’ especiais: uns brincos para a senhora + umas calças compradas em saldos para fazer frente às tais temperaturas amenas, pelo mesmo motivo adquiri (também ao preço de rebuçados) uma camisola.
























Só para constar em acta, este rapaz (o Joaniko) tem também outra doença que deve derivar de algum choque que apanhou; o rapaz é eléctrico! Já pensei em cortar-lhe a dose do pequeno almoço ;)! A verdade é que ambos fazem uma boa dupla e se calhar era mesmo o elemento que faltava para tornar os dias da Imaculada mais agitados.
Entretanto surgiu-me a ideia de colocar a Imaculada a assistir ás aulas na escola mesmo ao lado da RSRP. O protocolo de tratamento para crianças com TBC é mais prolongado e como a escola dela fica um pouco longe, achei que fazia sentido que ela não perdesse algum ritmo nem estimulo para a aprendizagem, tão importantes nesta idade. Então lá fui à escola colocar esta hipótese e no dia seguinte já a receberam; não deixei de me questionar sobre quanto tempo, papeis, etc. isto me custaria em Portugal ;)!
Algumas fotos de mais uma EdSaude sobre TBC:

























Enganem-se aqueles que pensam que aqui é só sol e mangas curtas…;)!




















































Neste mês estava também agendada uma EdSaúse para as crianças das duas escolas primárias locais. Depois de algumas combinações atempadas para fazer uso da energia dos painéis solares de uma das escolas, valeu o meu plano B de ter falado com o chefe da esquadra da policia sobre poder usar um pouco de electricidade deles (eles são os únicos que têm electricidade quase todo o dia) na eventualidade de que os painéis falhassem.
O tema girava em torno de problemas de pele, pés e tétano. Esta é uma foto do final de uma das duas sessões em que foi apresentada de forma simples e directa alguma informação estrategicamente associada a imagens.























Aqui eu numa outra actividade … ‘saúde ocupacional’ ;)! Decidi aproveitar uns restos de tintas e uma pequena estrutura que dá sustento ao depósito da água da RSRP, para dar oportunidade aos pacientes (e não só) para personalizarem um pouco o espaço…:)!













































Contrariando qualquer esperança de estar um pouco actualizado sobre o actual evento mundial de futebol, surgiu na aldeia um novo hábito: o de acompanhar os jogos através de aparelhos que…julguei não existirem por estes lados.
Depois de ficar a saber que eles emitiam os jogos ao inicio da noite, decidi dar lá um salto para ver como aquilo funcionava.
Assim que saio de casa começo a ouvir um som em formato de relato que me fazia pensar que o local onde estariam a emitir o jogo seria muito mais perto do que o que me tinham descrito. Continuo a subir a rua (escura) e o meu espanto começa a ganhar corpo assim que me apercebo que o dito som estava a ser irradiado em decibéis quase nocivos e sincronizado com uma tela gigante onde estava a ser projectado um qualquer jogo. Á falta de luar, era a luz projectada que denunciava uma grande quantidade de corpos que se mantinham ’hipnotizados’ por todo aquele cenário.
Talvez ‘hipnotizados’ não seja o melhor termo, é que assistir a um jogo de futebol com estes indivíduos ali… não sei se por efeito de algum fanatismo ou de uns goles de ‘tua’, aquilo parece o mercado!;) então quando Portugal goleou a Coreia… não imaginam ;)! Eu só cheguei a tempo de ver a segunda parte (a parte que realmente interessou) e, apesar de o ecrã ser grande, eu só conseguia ver pouco mais do que a baliza do adversário (que também era a parte que interessava ;)!).
Depois disso, apesar de o tempo não convidar, voltei lá para ver o jogo com o Brasil. Estava frio, vento e chuva, o que implicou que a disposição das bancadas e dos aparelhos fossem alterados.

domingo, 30 de maio de 2010

Xanana's visit!!!

Pois é, eu sei…. Talvez sejam muitas emoções, muitas personalidades para um ano só, mas proporcionou-se mais um grande encontro com uma das personalidades de Timor que eu mais respeito.
Quando o presidente Ramos Horta visitou a aldeia remeteu já algumas questões para a visita do primeiro-ministro, prevendo já a sua visita dentro de algumas semanas.
A verdade é que, como normal, o aumento de tensão foi-se notando e foi-me contagiando: ensaios, preparativos, etc. Mas tudo transbordou quando fomos abordados no sentido de dar corpo a uma tradição neste tipo de visitas, isto quando o visitante esta predisposto em seguir estas tradições; é que com a visita do presidente nada do que vos vou contar aconteceu.
Acontece que, segundo o que me apercebi, é costume o visitante, neste caso o Sr (Primeiro Ministro) Xanana Gusmão antes de dar entrada no centro da aldeia, perder uns minutos numa das primeiras casas por onde passe, para lhe serem colocados alguns adereços tradicionais, e depois sim, ser convidado a entrar na aldeia.
Claro que, com tudo isto, as minhas expectativas de tirar uma foto ao lado deste que foi um dos grandes heróis desta ilha, foram multiplicadas por dez.
A visita de uns inspectores no dia anterior, para verificar se havia água, etc., passou-me também a mensagem de que o primeiro-ministro seria esperado pelas 8horas. Aproveitei também para lhes dizer que o esquentador estava avariado e que a televisão ainda não tinha vindo de arranjar…;)!
Sendo assim, o dia começou bem cedo, pouco antes de o dia nascer, com as primeiras marteladas do sino, seriam aí umas 06:17, levantei-me para uma corrida matinal (treino rigoroso). Esperei por um pouco mais de claridade e iniciei percurso. Mas acontece que, aquele murmurinho habitual, de gritos melódicos, pessoas a circular pelas montanhas… estava um pouco aumentado, com um movimento invulgar de veículos, altifalantes a espalhar avisos para a população… muito por culpa deste cenário, não consegui evitar pensar que chegaria atrasado para abrir a porta ao Xanana!
Acontece que o homem chegou eram umas 11:12 horas. Mas a espera serviu para recolher umas boas fotografias:






















































Quando o câmara men caiu no erro de me deixar a maquina depois de eu lhe indicar onde era o WC…





























Mas as pessoas foram-se acumulando e eu não estava a ver facilitado o meu objectivo. Enquanto ele era preparado, estavam umas nove pessoas a rodeá-lo de silêncio, até que peguei nas minhas cordas vocais e quebrei aquilo ao pedir-lhe um minuto para uma foto conosco.

























Ele fez-se de difícil, mas nos entretantos acabou por ser apanhado por alguns flashes ;)!



























Depois lá foi ‘libertado’ para dar entrada na aldeia ladeado por tambores, cantares e aglomerados de gente.


































































Pelas 17h ainda discursava para a população


















































Foi nesta altura que, por momentos, pensei ser a única pessoa sóbria nas redondezas: tudo dançava e cantava, outros olhos brilhavam enquanto alguns galos perdiam a vida…
Ah! …o gerador ficou ligado por cerca de 24h…. a fazer lembrar hábitos longínquos;)!

educação/rastreio de TBC (Maio)
















mais uma educação para a saude ( para crianças )





















Sobrou um bocado de tintas, a brincadeira continuou… improvisou-se um workshop…;)!